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Aracaju
Passarela do Carangueijo

XIV Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos

V Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos
dos Países de Língua Oficial Portuguesa

Aracaju - Se

Hotel Parque dos Coqueiros

25 a 29 de Novembro
de 2001

Promoção:

ABRH - Secretaria Nacional


APRH
- Associação Portuguesa de Recursos Hídricos

Apoio:
Governo do Estado de Sergipe

Aracaju Convention & Visitors Bureau


Apoio Divulgação On Line:












29/11/2001
Carta de Aracaju
o desafio da prática da implantação dos sistemas de gestão de recursos hídricos


A Associação Brasileira de Recursos Hídricos, reunida em Assembléia Geral Ordinária durante o XIV Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, em 28 de novembro de 2001 na cidade de Aracaju, com o intuito de colaborar para que seja vencido o desafio da prática da implantação dos sistemas de gestão de recursos hídricos e reconhecendo o valor das Cartas anteriores, em grande parte elaboradas sob a liderança de Flávio Terra Barth, aprova esta Carta de Aracaju.

Considerando ser premente completar as etapas de implantação dos instrumentos de gestão de recursos hídricos, bem como, de todo o correspondente arcabouço institucional responsável por sua aplicação, sempre observadas as diretrizes e fundamentos dispostos pela Lei Nacional n º 9.433/97, a ABRH entende que os esforços neste sentido, empreendidos pelo setor, devem contemplar:

1. A implantação da efetiva gestão integrada das águas, superficiais e subterrâneas, com avanço sobre as diversas interfaces, supervenientes e intervenientes aos recursos hídricos, sob ambas as perspectivas, técnica e institucional, o que implica em:

- integração entre os diferentes níveis de governo, a qual, para ser efetiva, deve abrigar mecanismos de distribuição de funções e de delegação de atribuições e competências, de modo a promover a necessária descentralização;

- integração entre os diversos órgãos de estado, para que sejam evitadas a duplicação de atividades e, portanto, inconsistências nas decisões;

- integração entre níveis de planejamento nacional, regional e local, para a correta abordagem dos problemas, aumento da eficiência do setor e definição dos níveis corretos de decisão, aplicado o princípio da subsidiariedade;

- integração dos sistemas gestores e os principais segmentos de usuários, para uma melhor compreensão sobre suas mútuas de pendências e interações, com destaques para o setor de saneamento, no que concerne à gestão de bacias hidrográficas, e para o setor elétrico, no que tange à definição dos potenciais hidráulicos e às concessões de exploração;

- integração entre os próprios setores usuários, uma vez que cumpre a todos reconhecer seu impacto sobre o meio ambiente e os demais usos, implicando na troca ampla de informações, na facilitação de processos de negociação, tendo como conseqüência melhor alocação do recursos natural água;

- integração entre o sistema de recursos hídricos e o sistema de meio ambiente, como já preconizavam as Cartas de Foz do Iguaçu e do Rio de Janeiro, para que os processos de outorga e licenciamento ambiental sejam baseados em critérios consistentes e que os sistemas de informação sejam comuns;

- integração entre disciplinas, em particular quanto as águas superficiais e subterrâneas, para que tal integração abranja as esferas técnica e institucional.

2. O fomento à participação pública, para o aumento da legitimidade dos processos decisórios, agindo sobre:

- mecanismos de incentivo à participação, de modo a conferir respaldo social às decisões tomadas pelos órgãos colegiados dos sistemas;

- capacitação dos usuários e órgãos representativos da sociedade civil para que sejam habilitados a exercer tal participação, o que extrapola a mera capacitação, invadindo os campos de preparo ao pleno exercício da cidadania.

3. A efetiva implantação da cobrança pelo direito de uso da água, enquanto instrumento de gestão responsável pela dinâmica e financiamento do sistema, de modo a:

- Promover, em todo o país, um grande esforço para a aprovação de critérios e início efetivo de arrecadação, vencendo os processos de tramitação necessários, em todos os seus diversos níveis;

- Propiciar a adesão dos usuários ao sistema, mediante a a adoção de critérios simplificados que facilitem a compreensão dos usuários pagadores e a implementação por parte de comitês, agências de demais órgãos envolvidos;

4. O envolvimento do setor privado - concessionários, indústrias, agricultura e mineração - como integrante efetivo do sistema, de modo a articular esforços comuns no sentido do desenvolvimento de C&T, notadamente quando voltada à modernização tecnológica de seus parques de produção, tendo como resultados a racionalização do uso da água e a minimização da produção de rejeitos.


Sob tais linhas de atuação, o desafio da prática na implantação efetiva dos sistemas de gestão de recursos hídricos deverá ser enfrentado reconhecendo ser esse um projeto complexo, de longo termo, o que recomenda flexibilidade para a devida adequação dos sistemas às diversidades regionais, bióticas, sócio-econômicas, institucionais e culturais do país.

Por conseguinte, a gradual e permanente construção de consensos passa a ser atitude estratégica indispensável ao sistema de gestão que se quer edificar no Brasil.

Sob tal perspectiva, a adoção de sistemas e critérios simplificados, como também, o avanço gradativo em áreas determinadas, que possam consolidar experiências e aprendizados, passíveis de replicação e aprimoramento, devem constituir-se em caminhos legítimos a serem reconhecidos e respaldados.

A ABRH entende que, como premissa para superar os desafios, está a necessidade do desenvolvimento da pesquisa científica e ferramentas tecnológicas que possam subsidiar os sistemas de gestão de recursos hídricos e a implantação das políticas de recursos hídricos.

Por fim, a ABRH entende que o fortalecimento das instituições do setor constitui fator essencial para consolidar os avanços já alcançados.

Aracaju, 28 de novembro de 2001

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